Tag Archives: transmissão

10 momentos Epic Fail da festa da CBF

6 dez

Eu havia prometido não assistir ao prêmio Craque do Brasileirão, promovido pela CBF e pelo Sportv, porque queria escutar os comentários de Juca Kfouri sobre Sócrates na ESPN no mesmo horário (sei que ele escreveu muita coisa, mas queria vê-lo… enfim). Mas a sucessão de gafes comentadas pelo Twitter me ganhou.

Sou mórbida e gosto de gafes. Beijos.

Vamos então pensar nos 10 motivos para o Epic Fail da premiação desta segunda:

1 – O problema não é ser super produzida. É ser mal produzida.

Foi um dos meus tweets durante a premiação. Por mais que as pessoas adorem um motivo para descascar Luciano Huck, Glenda (sem paciência de googlar o sobrenome) e Tiago Leifert, eles fizeram o que podiam diante da organização nula da premiação. Vídeos que demoravam para serem passados (muitos deles pareciam editados no Movie Maker), envelopes que não chegavam, indecisão sobre quem falava em qual momento, etc.

Tudo isso mostra falta de ensaio. Numa festa que pretende imitar o padrão “Oscar”, isso não pode acontecer, como não aconteceu no ano passado, em que tudo correu razoavelmente bem. Não acho que o erro esteja no formato. Por mais que a Bola de Prata Placar/ESPN tenha mais tradição e prefira algo mais “low-profile”, se os veículos tivessem mais recursos, certamente fariam uma festa maior.

2 – Aldo Rebelo avulso

O mundo dá voltas. Aldo Rebelo numa festa da CBF. Pois bem, o Ministro subiu ao palco totalmente perdido, sem saber o que fazer. Glenda tentou ajudá-lo, Huck gritou “dá pra ler aí, Ministro?”, enquanto Rebelo procurava sem sucesso a tela na qual estava seu texto. Ele leu pausadamente, com a Glenda quase ditando tudo e depois alguém o tirou do palco. Épico.

3 – Huck alfinetando o Leifert

Nós amamos odiar o Huck. Claro, ele ficou famoso apresentando um programa cuja atração principal era uma gostosa com fantasia de brechó, casou com a linda da Angélica, copia reality shows americanos que ‘mudam a vida das pessoas’ (Gugu faz isso desde os anos 90) e é amigo dessas celebridades globais felizinhas. Mas ele foi o que se saiu melhor nessa premiação, justamente porque não fez muita questão de esconder seu desconforto com os erros da produção. Não satisfeito, ainda fazia cara de preguiça e comentários “awkward” depois das piadas do Leifert.

4 – Leifert querendo consertar tudo

Antes a moda era gostar do Leifert. Aparentemente, agora é odiá-lo. Nunca fiz parte de nenhum desses times. Acho que ele é um apresentador competente, engraçado, um pouco repetitivo e que implantou uma informalidade na hora de fazer seu trabalho que trouxe uma consequência indesejada: o status de celebridade. Como sabemos, celebridades costumam ser rejeitadas na internet. A reação de Leifert na festa foi fazer o “Ricky Gervais”, ou seja, colocar um pouco o dedo na ferida. Não deu muito certo. A coroação foi a tentativa de fazer Diego Souza ensinar uma dança a Geraldo Alckmin. O jogador ignorou solenemente.

5 – Geraldo Alckmin avulso

Copie aqui a parte do Aldo Rebelo.

6 – Rogério Flausino e Nando Reis

HE’S EVERYWHERE! Flausino não perde uma e a sua super exposição fez mal até ao Jota Quest, que não é uma banda tão ruim como nós esbravejamos. Escolha do repertório: Fio Maravilha e É Uma Partida de Futebol. OLÁ, CRIATIVIDADE. Pior: Nando errou a letra. Depois de todas as vezes que essa música já tocou em eventos ligados ao futebol, isso é um insulto.

7 – Cadê a Glenda?

Sinto na internet também um clima de “odeio a Glenda” por ela ser uma pessoa, digamos, muito feliz. Sua escolha por apresentar reality shows também não foi muito bem vista. Na festa da CBF, a jornalista ficou de lado a maior parte do tempo, o que parece até bom, já que Huck e Leifert improvisam melhor. Mas Glenda deixou sua contribuição com o EPIC FAIL quando chamou Marco PAULO Del Nero para o palco. Sim, é Marco Polo. Até quem não manja de futebol sabe, porque né, tem nos livros de História.

8 – Huck trollando (?) o Ricardo Teixeira

“O senhor como apresentador é um ótimo dirigente”

Até agora estou pensando se é um elogio ou uma trollada. Só sei que morri de rir.

9 – Galvão trollando tudo

Dedé ganhou o prêmio principal depois do Neymar e não apareceu para receber, sendo que já havia subido ao palco antes. Leifert então diz: “ele está dando entrevista para o Galvão”. WIN do tiozão.

10 – Zorra Total

Deixei para o final, porque foi de longe o pior momento. Sei que esse quadro do metrô existe e faz relativo sucesso. Espero sinceramente que seja melhor no Zorra Total do que foi ontem na premiação. Totalmente fora de contexto, o segmento causou tanta “vergonha alheia” que o câmera demorou a descobrir alguém animado o suficiente para fingir uma risada. No caso, Ronaldinho Gaúcho. O que não diz nada, já que ele está obrigatoriamente sempre sorrindo.

Anúncios

Maravilha, Alberto!

4 nov

por Sheila Vieira

O primeiro programa de futebol a que eu assisti fielmente foi o “Rockgol”. Eu sempre gostei de esporte, mas não me identificava com os jornalistas esportivos “comuns”. Eles pareciam falar com o mesmo público: homens adultos entre 20 e 60 anos que um dia sonharam em ser o Ronaldo, o Rivaldo, o Messi… Eu não. Nunca quis jogar nada, nem nas aulas de Educação Física. Eu gostava de ver, de falar sobre esporte de uma forma que mostrasse o quanto ele é hilariamente dramático e divertido.

Curiosamente, quando fomos entrevistar o Marco Bianchi (vocês sabem, um dos apresentadores do programa) para este blog, ele nos falou sobre como esse tipo de informação com humor havia se espalhado nas emissoras a ponto de deixar o “Rockgol” muito igual ao resto. 

‘Virou quase uma regra, não uma exceção’

“Não sei se lançamos essa tendência, porque eu não conheço a história da TV desde o começo, mas no momento em que isso estava meio abandonado, esse casamento de entretenimento com futebol, nós resgatamos isso. Tanto que, de um tempo pra cá, todos os programas começaram a ser, digamos, menos quadrados. Surgiram programas de rádio nessa linha humorística, programas de TV que sempre foram convencionais passaram a mudar, o ‘Globo Esporte’ tinha um formato X, passou a ter um formato diferente, isso influenciou muita gente. Virou quase uma regra, não uma exceção”.

‘Hoje, todos os programas são engraçadinhos’

“O jornalismo esportivo tem as suas características próprias, porque o futebol é a coisa mais importante entre as menos importantes, como dizem. Ele permite que você trate o assunto de uma forma mais descontraída. Quero continuar a trabalhar com futebol, mas hoje em dia, para fazer algo que se destaque, não basta ser como era o ‘Rockgol’, porque a distância entre o que era o ‘Rockgol’ e os outros programas diminuiu. Hoje, todos os programas são engraçadinhos. Para ser inovador, teria que ser mais humorístico, feito por humoristas. Não um programa de esportes com humor, mas o inverso”.



Bianchi fez Rádio a TV na USP no começo dos anos 90. Eu estudo (estudei? Estudava? Será difícil conjugar esse verbo no passado) bem pertinho dali, no Departamento de Jornalismo e Editoração da ECA. Quando eu entrei na USP, sentia um certo medo de ser olhada com desprezo por ter o esporte como uma das coisas mais importantes da minha vida. Sei que política é relevante (como economia, cultura, cidadania) e tento como posso estar bem informada sobre tudo isso. Mas há gente por aí mais apaixonada por isso e capacitada para tratar desses assuntos.

Nos meninos da minha sala, eu encontrei um porto seguro para me convencer de que o jornalismo esportivo era um caminho válido e que eu poderia exercitar isso nos trabalhos da faculdade. Por isso, eu perguntei para o Bianchi como ele expressava sua paixão pelo futebol nos limites da ECA.

‘Nunca fomos especialistas’

“Sempre fomos muito ligados ao futebol. Sempre vimos o futebol não como uma fonte de estudo, nunca fomos especialistas, mas sempre interessados. Quando eu comecei a fazer o programa na Rádio USP [começo dos anos 90, Bianchi estudava na Universidade], um dos meus primeiros quadros foi o ‘Mesa Quadrada Futebol Moleque’, era uma sátira de um programa da TV Gazeta chamado ‘Mesa Redonda Futebol Debate’. Antes era apresentado pelo Roberto Avallone, que é um cara super folclórico”.



Referências: Avallone e Gérson

“A principal delas é o [Roberto] Avallone. Há uma série de coisas que ele fala, a cantina chique dos Jardins, as camisas que às vezes ele usava, umas coisas linguísticas dele. Ele fala muito bem o português. ‘Agora os comerciais, mas não vá sequer ao banheiro; ‘estou muito empolgado, exclamação’, ‘Palmeiras, 1,2,3,4, Corinthians zero’. E o melhor é que ele aparentemente se leva a sério, o que o deixa mais engraçado ainda. Ele se envolve de uma forma até doentia com o futebol. O Gérson, o canhotinha, ele falava ‘perfeito’, a voz que eu faço é inspirada nele. Os principais são o Avallone, pelo espírito de envolvimento, e o Gérson pela voz”.



Eu via o “Rockgol” ao vivo e também as reprises. Não imaginava fazer um dia o mesmo que eles (afinal, não sou uma pessoa naturalmente engraçada, pelo menos, não pessoalmente), mas pensava em falar para jovens e dos dois gêneros. O esporte hoje não está apenas em conversas de botecos. Ele está em todos os lugares. Para trazer o jovem e as mulheres para o jornalismo esportivo, não basta colocar uma gostosa como apresentadora. A chave é ligar o esporte a referências culturais e sociais com as quais as pessoas se identificam. Isso exige que os apresentadores estejam totalmente ligados não só em esporte, mas também em comportamento.

‘A descontração agregou mais os jovens’

“A MTV tem publico muito adolescente. A pessoa que tem 25 anos lembra da gente na rádio, mas quem tem 15 só conhece pelo ‘Rockgol’, acha que eu sou jornalista esportivo. Tem que ficar atento aos interesses do público, as músicas, o comportamento. Nas emissoras em geral, os programas de futebol têm um publico muito amplo, porque essa coisa da descontração agregou mais os jovens. O publico de futebol vai de A a Z. Frentistas me conhecem, o garçom fala comigo, gente de 15, 18 anos. Mas eu sou meio avesso a fazer as coisas pensando no público, pensei em fazer coisas naturais para mim, depois pensar onde se encaixa. Há amigos dos meus pais que gostam do meu trabalho, moleques de 15 anos. O futebol prende todos os públicos”.

‘Quatro ou cinco corintianos me agrediram’

“Uma vez eu fiz uma piada do Corinthians no ‘Rockgol’, era um corintiano que ligava ao vivo para o programa, ele falava algumas coisas, a gente tirava sarro. Eu fiz o texto e a voz. Fui numa festa, um cara veio tirar satisfação, parecia de torcida organizada. Eu não estava acostumado com aquilo, fui surpreendido, tentei argumentar, daí quatro ou cinco corintianos me agrediram. Eu tinha operado o joelho, torci de novo, tive que operar de novo. Enfim, me bateram, eu fui fazer BO na delegacia, o cara perguntou quem eram, eu não sabia, falaram que não adiantava, fiz o BO mesmo assim, mas passei por isso”.



‘Era um humor para todos os clubes’

“Eu poderia ter me intimidado, mas só fiquei um pouco mais atento para não dizer coisas que poderiam ser encaradas como ofensa. Ao mesmo tempo, eu fiquei mordido e fiz mais piadas com o Corinthians do que o normal, por uma certa mágoa com esse episódio. Mas foi passageiro, eu sempre mostrei no programa que a brincadeira era com os clubes que estavam mal. Quando Palmeiras estava mal, mas eu brincava mesmo assim, e eu sou palmeirense. Era um programa de humor que o assunto era futebol, os assuntos seriam explorados, não importa o time. Depois as pessoas começaram a entender o espírito do programa, que não perseguia time nenhum. Era um humor para todos os clubes. Pessoas de todos os times gostavam do mesmo jeito do programa”.

‘A fórmula se esgotou, comigo e com o Paulo’

“Criávamos quadros, mudávamos os cenários, a disposição das pessoas no cenário, a duração, a abordagem dos comentários, sem mudar a essência, mas coisas que representassem renovação. Fazer um programa durante oito anos, ainda mais um humorístico, foi um feito. Mas a fórmula se esgotou, comigo e com o Paulo [Bonfá]. Era um casamento de estilos, para determinar algo, todo mundo tinha que gostar, era uma configuração que conciliava os interesses. O leque de possibilidades se esgotou. Agora eu pretendo fazer um programa diferente, comigo comandando a mesa, mais quadros de humor, indo mais adiante do que foi o ‘Rockgol’, para se diferenciar do resto. Todos os programas ficaram descontraídos, uns são engraçados, outros tentam ser engraçados. Hoje em dia, aquele jornalismo convencional, quadrado, antiquado, não é mais o mesmo”.



Eu fui ao “Rockgol” uma vez (na plateia, claro), no começo do ano passado. Foi legal, mas eu também senti que o espírito do programa tinha ido embora. Os entrevistados já sabiam mais ou menos o tom das perguntas e como desviar delas. Não havia mais surpresas, como o amendoim entrando no olho do Bianchi enquanto o Bonfá falava ou um “passar bem” que cortava um entrevistado no telefone. Eu senti que o formato com os dois estava acabando aos poucos.

‘Naquela configuração, não dava mais’

“Ele [Bonfá] tem um perfil de comunicador mais convencional, talvez mais versátil. Porque ele já trabalhou no programa da Adriane Galisteu, no TV Fama, agora está no Sportv. Eu sempre fiz humor, eu nunca fiz outra coisa. Sempre procurei enfatizar isso. O Bonfá não. Na rádio, eu fazia parte de criação. O Paulo também fazia vozes, mas ele ficava mais com a parte de administração do escritório, ele e o Felipe Xavier, de venda de patrocínios. No ‘Rockgol’ também. Eu meio que mordia e o Paulo assoprava. Ele sempre amenizava e eu lascando os convidados. Mas era um casamento bom, porque ele amenizava quando ficava um clima meio constrangedor. Ele tinha uma função mais burocrática, mais jornalística, perguntas mais comuns e eu sacaneava mais. Durante muitos anos, ele fez os contratos com a MTV, inclusive no meu nome. A gente tinha estilos diferentes, mas que combinavam. E pelo fato de se conhecer desde moleque, às vezes, ao vivo, eu sabia só de olhar para ele que ele tinha gostado de alguma coisa. A gente tinha um entrosamento muito bom, mas foi uma fórmula que se esgotou. Não fecho a porta para fazermos coisas juntos no futuro, mas, naquela configuração, não dava mais. Por isso, eu decidi que, se eu fizer coisas com futebol, vou fazer com meu projeto, para o meu perfil”.

Tento imaginar o tamanho do desafio que deve ser se desvincular da imagem de outra pessoa. É difícil pensar em praticamente reiniciar uma carreira, sendo que eu estou apenas no meu primeiro emprego, no qual a minha maior responsabilidade é o meu blog (que curiosamente tenta ser ‘engraçadinho’). O Bianchi podia com certeza se acomodar e fazer humor só com esportes para sempre, mas não.

“Minha carreira começou com humor multitemático, mas espero que eu consiga espaço de novo para fazer isso, paralelamente com algo com futebol. A internet é mais uma opção. As emissoras de TV abertas são poucas e limitadas, a internet está quase junto do cabo com faturamento e publicidade. Saí da MTV no ano passado, estou trabalhando mas sem ganhar, então tenho até o final do ano para fechar alguma coisa”, ele disse para nós duas. Ele produz o programa “Descontrole Remoto” e tem um projeto de uma atração de esporte, mas com ênfase total no humor, sem o compromisso de relatar informação o tempo todo.

Apesar de uma história tão rica na TV, ele falou de seus novos planos com a alegria de alguém que acabou de sair da ECA. Daqui a pouco, será a minha vez de dar adeus à USP. Sem a pretensão de ter uma carreira tão bem-sucedida quanto a dele, mas com a intenção de mostrar para as pessoas que o esporte é divertido… e de todos.

O Pan na Record: ótimo, só que ao contrário

22 out

por Sheila Vieira

Reclamar das transmissões da Globo é como falar mal da comida da sua mãe: quando você não tiver, vai sentir falta. Essa é a sensação da maioria das pessoas ao assistir ao Pan-americano de Guadalajara pela Record neste ano. Porém, antes de ficarmos saudosistas e colocarmos #VoltaGalvão nos Trending Topics, vamos pensar um pouco no que exatamente nos incomoda.

Narradores que gritam descontroladamente

Ninguém quer um narrador de velório numa transmissão, afinal, esporte é algo que lida com torcida, um certo orgulho nacional e histórias de superação. Mas, como toda boa narrativa que se preze, há momentos mais calmos e o clímax. 

Não há razão para manter um ápice em todos os segundos de uma partida por um motivo bem claro: telespectadores não são burros e sabem quando se está forçando a barra. O narrador deve economizar o grito para momentos realmente marcantes. Um belo exemplo é o “Olha a Jamanta” de Everaldo Marques na NFL: 

Tive o privilégio de ver isso ao vivo. 

Repórteres inconvenientes de zona mista

Atletas dando entrevista logo após uma partida ou prova servem apenas para uma coisa: provocar frases bizarras e sem nenhum sentido. O que é muito compreensível. Tente fazer um esforço físico descomunal e em seguida discorrer sobre o realismo mágico. Não rola. Mesmo assim, eles param, tentam formular frases que façam sentido e sorrir. Até que o repórter começa a fazer um TALK-SHOW no meio da zona mista. Veja (a partir de 2min e 20s): 

 

A repórter Adriana Araújo também, digamos, foi bem animada ao lado de Thiago Pereira. Não achei o vídeo, mas encontrei o relato do blog UOL Esporte Vê TV:  

“Ele me deu um abraço molhado e dourado depois que ganhou o primeiro ouro do Brasil no Pan. Mas ontem ele ganhou outra medalha e nós não vimos ele no pódio. Eu quero te pedir outro abraço hoje à noite. Vamos combinar um abraço depois que você sair da piscina?”, perguntou Adriana, que recebeu um discreto “beleza, fechado” do atleta.

Beleza, fechado. 

Não vejo problemas em ser informal, mas tudo tem seu tempo. Se você quer mostrar um lado diferente e mais descontraído dos atletas, tente puxar um assunto diferente numa entrevista coletiva (no final) ou exclusiva, quando a adrenalina da competição já passou. Mas, PELAMORDEDEUS, nunca pegue os braços de um nadador que acabou de sair da piscina e puxe-os para cima. Isso é tão sem noção quanto o atleta tomar seu microfone e tacar na piscina. 

Reportagens melodramáticas

Usar uma narrativa menos robotizada numa reportagem é ótimo, refrescante, chama a atenção. Mas saiba escolher suas referências. A matéria no dia seguinte da lesão da Jaqueline, por exemplo, me lembrou aqueles episódios pós-acidente com amnésia das novelas da Thalia. 

O caso Leonardo de Deus (que ganhou o ouro, foi desclassificado por uma suposta irregularidade na touca e teve o resultado devolvido) foi contado no dia seguinte pelo programa “Hoje em Dia” como um filme de suspense: quem estava vendo pela primeira vez o ocorrido descobriu que ele realmente ficou com o ouro só no final. Desnê, para dizer o mínimo. 

Agora vamos pensar em quais dessas coisas nós vemos também na Globo: 

– narradores gritando descontroladamente: o Galvão é irritante, mas sabe ficar quieto na hora certa, afinal, a voz dele não aguenta mais tanto.

– repórteres inconvenientes na zona mista: nope. Você pode odiar o quanto a Globo monopoliza as transmissões, defende a CBF, não investiga certas coisas, mas não pode negar um fato: os repórteres de lá são BONS. Eles entendem do esporte, têm experiência e sabem dosar o sério e o trivial.

– reportagens melodramáticas: hum… não mais. Agora a Globo investe mais em reportagens mais ligadas ao humor.

No ano que vem, teremos as Olimpíadas na Record, no Sportv e na ESPN. Qual canal você escolherá?