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Liberou geral no jornalismo esportivo

12 out

por Sheila Vieira

Como você classificaria o jornalismo esportivo brasileiro atualmente? Muito brincalhão, sério, bom, péssimo? Essa é uma pergunta difícil de se responder em um momento em que toda a crônica esportiva parece estar, ao mesmo tempo, experimentando, acertando, errando e, principalmente, servindo como um espaço de testes para as outras áreas da imprensa. 

De editoria rejeitada e diminuída, o esporte virou o espaço mais “descolado” do jornalismo. Quem foi o primeiro a fazer piadas durante um VT na Rede Globo? O Tadeu Schmidt no “Fantástico” ou, se você quiser ir um pouco mais para trás, o Régis Rosing na reportagem. Hoje, o “show da vida” é totalmente influenciado pelas brincadeiras e informalidades que o irmão de Oscar trouxe. E, certamente, Tiago Leifert não teria o OK da emissora para o seu formato de “Globo Esporte” se a ‘experiência Tadeu’ não tivesse dado certo. 

O ponto é que o esporte, talvez por causa do preconceito sofrido por tanto tempo dentro das redações, usou como resposta uma maior liberdade de linguagem. Não havia medo de exagerar ou de deixar um pouco da paixão de torcedor ou do ufanismo fazer parte do jornalismo, porque não se tratava de uma área “séria”. 

Bem, isso mudou bastante. As primeiras marcas da crônica esportiva foram os textos dramáticos de Nelson Rodrigues e Mário Filho, as narrações emocionantes do rádio e a exaltação dos atletas e times nacionais. No entanto, uma das figuras mais importantes do jornalismo esportivo atual representa o oposto de tudo isso. 

Estou falando de Paulo Vinícius Coelho, o PVC da ESPN Brasil. Conhecido como “o homem dos números e de uma memória incrível”, esse jornalista inspirou um grande número de telespectadores (incluindo a autora deste texto) ao desejo de trabalhar com esportes. Mais do que isso, de vê-lo sendo tratado como algo sério, quase científico, relevante e que fosse um ótimo objeto de reflexão. Ele levou o jornalismo esportivo a um novo patamar de excelência. 

Curiosamente, PVC fala em um dos seus livros (‘Jornalismo Esportivo’, Editora Contexto, 2003) que estava faltando uma certa ousadia dos seus colegas para falar de esporte: 

“Análise tática sobre jogo de futebol vai sempre valer relatos dignos de fazer o torcedor mais fanático se arrepiar tanto quanto a descrição perfeita da partida de futebol. A conquista do título, a jogada brilhante, a história comovente sempre fizeram parte do esporte. E sempre mereceram o tom épico que desapareceu das páginas dos jornais e revistas e dos relatos de emissoras de rádio e de televisão”.

Ele disse isso logo após falar sobre Mário Filho e Rodrigues e defender a presença de um tom literário no jornalismo esportivo que ele via desaparecendo. Mal sabia PVC que os próximos anos seriam cheios de criatividade, exagerada ou não, mais para o lado do humor do que da Literatura. 

Nomes como Paulo Bonfá, Marco Bianchi, Tadeu Schmidt, Tiago Leifert e Milton Neves trouxeram (de maneiras bem distintas) muita irreverência para o jornalismo esportivo. Os dois humoristas ex-MTV, por exemplo, criaram no “Rockgol” uma sátira para homenagear e criticar o que se via na TV, nos jornais e no rádio. 

A internet, com seu ambiente mais democrático e efêmero, embarcou nessa tendência e fez com que ela se expandisse ainda mais. Os grandes portais de notícias contam com 24 horas de ‘circulação’, ao invés de 30 minutos espremidos numa grade de programação. Portanto, podem ter um espaço para notícias mais sérias e fazer um blog só com curiosidades. O UOL, por exemplo, tem vários deles, como o “UOL Esporte Vê TV”, em que o assunto não é o esporte em si, mas como é feita a cobertura sobre ele. Os personagens não são os atletas, mas os jornalistas. 

As diferenças entre todas essas investidas, o sucesso de cada uma delas e a recepção do público ficam para os próximos posts. Por enquanto, quero saber como vocês avaliam o jornalismo esportivo atual. Para isso, usem a enquete, os comentários e soltem o verbo!

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