A resistência

12 out

Por Marcela Lupoli

Revolução! Esse título é uma piada. A palavra “revolução” poucas vezes é usada adequadamente e nesse blog, definitivamente, não é o caso. Estamos falando aqui das inúmeras mudanças que a comunicação (e toda sociedade) presenciou e fez parte desde a Revolução Tecnológica nos longínquos anos 60!

Se houve alguma revolução, o jornalismo não é o melhor meio para ilustrarmos essa quebra de padrões, esse rompimento com o tradicional. Nos jornais, nas emissoras de televisão, nas revistas tudo é ainda muito semelhante ao que era feito há 40 anos. Não usamos mais a máquina de escrever, a imagem é “high definition”; mas o lide e a escaleta continuam soberanos.

Muitos ainda sentem prazer em sujar os dedos com o jornal que chega na porta de casa no domingo (como a autora que vos fala), muitos ainda se emocionam com a voz solene que narra os acontecimentos da semana e há aqueles que chegam a dar boa noite para o moço da televisão. Mas admitamos, não é a maioria.

Quem tem vinte e poucos anos agora já cresceu em um mundo onde o espaço se tornou mais subjetivo: televisão a cabo, celular, internet. Crescemos com os meios de comunicação se modificando e incorporamos essa sensação de que tudo ainda vai se transformar, de que não adianta esperarmos algo para daqui cinco anos, porque , com certeza, seremos surpreendidos.

Bom, imagine quem nasceu no meio dos anos 90. Imagine que essas pessoas não conhecem um mundo desconectado, um mundo que não possibilite organizar seus interesses da forma que mais lhes agrada. São pessoas que enquanto leem um livro sentem falta de dar ctrl F para encontrar o trecho desejado. É uma geração que cresceu podendo editar suas próprias imagens, fazer seus próprios vídeos, postar, compartilhar.

É claro que a comunicação com essas pessoas não pode se dar da mesma forma que era realizada em outras décadas. Parece lógico, mas mesmo assim há uma enorme resistência do jornalismo “tradicional” em mudar essa realidade. Isso se torna ainda mais polêmico quando a palavra entretenimento entra em jogo. Há diversos fatores históricos que serão discutos na página “home” e que explicam, parcialmente, alguns dos motivos que fazem com que o jornalismo tenha verdadeiro pânico de entreter.

Contudo, a mudança é inevitável. Estamos bem longe de uma revolução, mas já existem alguns jornalistas de pé por aí tentando inventar alguma coisa nova. Nos próximos posts vamos analisar algumas dessas tentativas de modernização do jornalismo. E vocês vão nos ajudar a pensar o jornalismo do futuro. O que está dando certo, o que está dando errado? Vamos descobrir isso juntos!

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7 Respostas to “A resistência”

  1. Lê Scalia 10/14/2011 às 13:45 #

    Eu dou boa noite pro William & pra Fátima (quando eu vejo JN haha) (mas confesso que meu jornal favorito é o fanfarrão do Jornal Hoje).
    Desde que entrei na faculdade rola esse debate sobre o fim do jornal impresso e blábláblá… coexistência! \o/
    Mas né, tô velha já… faço parte da geração passada, que prefere a revista, o jornal, o livro, ou qualquer outra coisa impressa quando realmente tenho o objetivo de me informar sobre algo (e não só “ficar sabendo”).

  2. Marcelo 10/21/2011 às 19:12 #

    Vc tem toda razão,os meios de comunicação,a mídia e a tecnologia avançaram bem mais rápido que o jornalismo
    Esta tendência de ser mais humanizado,mais criativo e até mesmo mais alegre ou emotivo quando pode ser aproxima mais o profissional do seu publico
    Ter um modelo mais convencional ou totalmente contemporâneo,bem isto depende de estilo e tendencias entre outros fatores
    Adorei o assunto
    Parabens e boa sorte neste debate

  3. Bruna 10/21/2011 às 22:50 #

    Como uma representante de quem nasceu nos anos 90, não posso deixar de concordar que não imagino o mundo sem o dinamismo proporcionado pela internet e suas formas de entretenimento e informação. Mas fica sempre aquela nostalgia/respeito em relação ao jornal impresso, ao tradicional.
    Ótimo blog, meninas! Acompanharei sempre!
    Boa sorte!

  4. Flávio Cruz Ferro 10/27/2011 às 20:41 #

    Nascido na década de 90, me sinto como o descrito pelo ótimo texto. Não consigo imaginar o mundo em que a comunicação coletiva era tão passiva para o receptor. A personalização do modo de receber o jornalismo é a maior revolução da comunicação contemporânea!

  5. Maria Eduarda 10/27/2011 às 20:44 #

    Como alguém que também nasceu nos anos 90, concordo que é impossível se deconectar de todo o dinamismo e informação que a internet proporciona. Como estudante de jornalismo, vejo uma enorme resistência dos cursos e de jornalistas mais tradicionais em aceitar que é possível fazer um jornalismo mais dinâmico e com qualidade. Na universidade, por exemplo, muitas vezes há dificuldade de interação entre alunos, que nasceram em uma era de tecnologia e de “tudo ao mesmo tempo”, e professores mais antigos e tradicionalistas, ainda muito apegados ao papel e extremamente preocupados com o fim do jornalismo impresso, com receio de que ferramentas como Twitter e blogs possam acabar com a função dos jornalistas.
    Tais receios fizeram com que o jornalismo não acompanhasse a evolução tecnológica e hoje os grandes veículos de comunicação estão se reinventando e têm que buscar soluções para esse atraso, mas ainda são muitas as dúvidas de como isso deve ser feito.

    • Bruno 10/30/2011 às 6:16 #

      Bem, se for seguir por essa linha de raciocínio, simples; basta esperar que tais professores morram. O que é algo inevitável. E como eles podem morrer? Assassinato, fome, velhice…
      No assassinato seria como se as pessoas parassem de comprar jornais e seguissem um outro caminho, tipo internet (que é cada vez mais acessível). Local onde posso simplesmente e inocentemente olhar o status do Facebook de minha amiga que vive na Nova Zelândia e me deparar com o post: “que saco de terremoto!”. A partir disso o mundo já sabe que está acontecendo um terremoto na Nova Zelândia. E o professor? Ele vai saber no meio da aula, por aquele aluno de jornalismo que não para de fuçar no iphone. Bang: morto!
      E se ele não comer, não tiver quem lhe sirva uma bandeja de ego – a qual a sobremesa é um biscoito da sorte com a mensagem: “você é o único que pode propagar a notícia… e sempre será!”? Ele vai se deparar com a falta de nutrientes que ocorre quando se percebe que outras pessoas (não-jornalistas) também podem fazê-lo, inclusive com ferramentas mais sofisticadas e atualizadas (redes em geral) para com a sociedade atual do que aquele troço que chega domingo de manhã, difícil de abrir, que mais serve para o cachorro não sujar o carpete do apartamento. Inanição de exclusividade: muerto!
      Velhice: a causa óbvia.Tão óbvia quanto a capa da Época citando a frase óbvia de Steve Jobs: “Morrer é a melhor invenção da vida”. Isto pois abre espaço para os novos que estão a vir e etc e etc – pregação de padres em enterros. Assim como Charles Foster Kane, eu imagino esse professor/jornalista velho, deitado em seu leito de morte, só, em seu palácio abandonado, sendo que já fora um jovem idealista, dono de seu próprio jornal revolucionário, mas que agora é um velho rude, tradicionalista e antiquado, que por fim deixa seu smartphone cair de sua mão, murmurando em seu último suspiro: “Twitter”.
      Pronto: inevitavelmente morto!

  6. Ana Beatriz 10/28/2011 às 21:14 #

    Concordo plenamente com você!! essa nova geração “high tech” não mais contentam com uma leitura de um jornal impresso, mas sou da opinião em que deve permanecer o bom jornal, revista..em que pegamos….viramos cada página….que sentimos com o tato, pois apesar da tecnologia estar evoluindo cada vez mais, juntamente com o culto da preservação do planeta terra a tendência é deles realmente desaparecerem, porém, tenho a certeza que vou resistir a toda essa modernidade, pois o que prende minha atenção de verdade é uma boa leitura de um jornal…livro..revista em que pego! Meninas adorei a idéia de vocês acompanharei sempre!!

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